terça-feira, 19 de maio de 2015

CIDADE DO SALVADOR

Fonte: : https://www.youtube.com/watch?v=f81DNOEpfgI

A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso fomentou a idéia de construção da cidade. O rei D. João III, então, nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa na América.

Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.

O trecho que vai da atual Praça Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais alto do sítio, foi escolhido para a construção da cidade fortaleza. Thomé de Souza chegou com uma tripulação de cerca de mil homens – entre voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes, que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.

Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a cidade prosperou, principalmente devido a atividade portuária, cultura da cana de açúcar e comercialização o algodão o fumo e gado do Recôncavo.
A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Durante 11 meses, de maio de 1624 ao mês de abril de 1625, Salvador ficou sob ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa de invasão da Holanda, desta vez com o Conde Maurício de Nassau que não obteve êxito.

A cidade foi escolhida como refúgio pela família real portuguesa ao fugir das investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o príncipe regente D. João abriu os portos às nações amigas e fundou a escola médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina do País.

Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de julho do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais importantes acontecimentos históricos para o estado e que consolidou a total independência do Brasil. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.

Dos planos iniciais de D. João III, expressos na ordem de aqui ser construída "A fortaleza e povoação grande e forte", o compromisso foi cumprido por Thomé de Souza e continuado pelos que os sucedem. São filhos de Catarina e Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe África e legaram à Salvador a força de suas raças criando um povo “gigante pela própria natureza”.


REFERÊNCIA:

http://ecoviagem.uol.com.br/brasil/bahia/salvador

sábado, 16 de maio de 2015

CARREIRA DAS ÍNDIAS

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As naus da Carreira das Índias
 Fonte: http://philangra.blogspot.com.br/2013/02/as-naus-da-carreira-das-indias.html

Maria Carolina Soares Santana (2011, pag.116-118 apud Lapa, 2000), na sua Resenha Do Livro: A Bahia e a Carreira da Índia, trás a importância que teve o porto de Salvador no processo de roteiro marítimo na Idade Moderna. Destaca a importância deste, como ponto de parada dos navios que se dirigiam ao Oriente a partir do século XVI. Acrescentando que possivelmente partes dessas paradas seriam feitas de formas ilegais. Vindo a mostrar detalhadamente, entre outros aspectos, a serventia daquele porto, graças a seu bom ancoradouro e seu fácil acesso, para abastecimento e refresco dos navios.


Logo, o processo de colonização impulsionou a depredação das matas, pois as madeiras eram retiradas de forma exorbitantes para serem utilizadas na exportação e fabricação naval. E por ser de boa qualidade, existiram incentivos para trazer ao Brasil mão de obra capacitada a fim de ajudar no corte e no transporte do produto. Analisando por esse ponto, é inevitável perceber a importância da matéria prima nesse contexto histórico, além de ser intrigante compreender que o início do processo de devastação das matas deu-se nessa época, perpetuando-se até os dias atuais através da continuação predatória humana. Sendo que, na época, esta situação era tão acentuada que existiu a necessidade de criação do cargo de juiz conservador das matas e uma legislação para especificar o tipo de madeira que deveria ser utilizada nos estaleiros.

Portanto, a Bahia revela um papel muito importante, como centro de escoamento da madeira de outras áreas e o motivo que ocasionou a substituição, em alguns pontos do sistema de extração, da mesma, pelo de feitorias. Ao que se refere á Mão de obra, demonstra o pouco interesse em trabalhar profissionalmente no Brasil, já que as possibilidades lucrativas não eram boas, faltando com isso estimulo ao aliciamento. Tendo evidencias que o recrutamento ocorria principalmente nas penínsulas, por falta de pessoas experientes na colônia. E em meio á escassez de trabalhadores algumas medidas deveriam ser tomadas passando-se, assim, a formar trabalhadores que eram ensinados pelos oficiais, dando preferência aos negros por serem hábeis profissionais, aprendendo o serviço de calafetagem, carpintaria, serraria, etc. Existindo, também, hipóteses perfeitamente plausíveis de aborígenes terem participado da faina do estaleiro, além de moleques serem utilizados em tarefas simples da ribeira, destacando-se também o problema da remuneração que variava entre salários mensais até gratificações por tarefas executadas.

Santana (2011, pag.116-118 apud Lapa, 2000), apresentam Salvador como ancoradouro e apontam as dificuldades de manobra na Barra, havendo como uma das medidas para remediar esse problema a iluminação dos fortes. Esses aportamentos aconteciam em grande parte pelos ventos de monções, ou seja, ventos periódicos, cabendo ressaltar aqui, também, o problema das frotas, onde alguns navios tendo o interesse de chegarem mais cedo e garantirem melhores preços; se afastavam do grupo desrespeitando as regras de navegações. Por isso, apresentavam-se as dificuldades no levantamento das medidas proibitivas ou concessionárias desses aportamentos.

Sendo assim, é destacada a constante chegada em Salvador de navios necessitados de reforçar a sua marotagem. Optando principalmente pela farinha que é um alimento de difícil deterioração, preferindo a carne de porco, que era bastante consumida a bordo, e levando entre outras coisas, galinhas vivas em quantidades razoáveis.

Dessa maneira, enfoca-se a importância do porto de Salvador, servindo inclusive como disponibilizador de munição e armamentos para as naus da carreira, pois segundo dados, existiam reservas na terra muito maiores que a necessidade real para sua proteção. E em meio a esses fatores se torna presente também as relações humanas, inclusive Salvador contribuiu com a empresa de navegação disponibilizando o efetivo humano e oferecendo a estadia para as embarcações da corrida do oriente, ocorrendo, também, á boa vontade da população em abrigar em suas casas marinheiros enfermos.

Embasado em fontes oficiais, Santana (2011, pag.116-118 apud Lapa, 2000), a partir dessa metodologia nos faz perceber a existência de um comércio ilegal praticado entre a população de Salvador e a tripulação dos navios, sendo o contrabando intensificado a partir do século XVII, tendo várias leis a partir desse século para coibi-lo. Apesar da obvia fiscalização (até mesmo antes dos navios ancorarem no porto e principalmente depois de concretizarem essa ação), é inegável que, no turno da noite, os contrabandos fossem transferidos através de canoas e barcos de pesca da terra para os navios.

Não esquecendo, de maneira alguma, as práticas comerciais entre o Brasil e o Oriente e atentando ao problema da baldeação do porto de Salvador, Lapa ( 1968 ), enfatiza outra oportunidade comercial que a carreira ofereceu ao porto de Salvador com a tentativa de negociantes e outros interessados em participar dela. Se destacado as respeitáveis cifras atingidas pelo Brasil na balança comercial da colônia com as mercadorias orientais. Tendo em vista esses argumentos A Bahia e a Carreira da Índia vem demonstrar que o Brasil não permaneceu isolado nem ligado inteiramente a metrópole.

REFERÊNCIAS:

LAPA, José Roberto do Amaral. A Bahia e a Carreira da Índia. Ed. Facsimiliada. Soa Paulo: Hucitec; Unicamp, 2000.

SANTANA, Maria Carolina Soares. Resenha Do Livro: A Bahia e a Carreira da Índia. Pag.116-118. http://revistas.unijorge.edu.br/praxis/2011/pdf/116_ResenhaDoLivro.pdf.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O POVOAMENTO DO TERRITÓRIO BAIANO

Povoamento - Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Bahia

Ao longo destes últimos quinhentos anos, o território hoje do estado da Bahia foi lentamente povoado pela contribuição de três grandes grupos étnicos: o índio, o africano e o europeu, sendo o índio o mais antigo, pois se encontrava no território baiano desde tempos ainda não definidos, mas estimados em nada menos de quinze a vinte e cinco mil anos. Os africanos e os europeus foram trazidos ou vieram a partir do século XVI (1501-1600).

Nas circunstâncias da posse das terras do Brasil pelos europeus – no convívio do trabalho de produção da grande lavoura da cana-de-açúcar, do algodão, do fumo, nos currais de gado e nas minas de ouro e diamantes - muitas foram às situações que possibilitaram acasalamentos. Deles surgiram os tipos mestiços de índios com portugueses e africanos que estão na variedade colorida do povo baiano, homens e mulheres que realizaram o espalhado povoamento das várias regiões do território da Bahia.

O índio quase foi destruído fisicamente nas guerras que os europeus lhes fizeram e por causa das doenças que lhes transmitiram. Permaneceu, porém, em diversos aspectos da cultura baiana, nas tribos que sobreviveram ao massacre dos seus antepassados e nos descendentes que tiveram com os portugueses e africanos. (TAVARES, 1998, p.16).

O índio do litoral baiano recebeu o europeu sem hostilidade. Até o ajudou, indicando-lhe fontes de água potável, raízes e frutas comestíveis. Colaborou na construção de tapumes de barro e casas de taipa da primitiva cidade de Salvador. Foi o grande canoeiro e remeiro para todos os engenhos do recôncavo. Era capaz de remar do Iguape ao porto da cidade de Salvador transportando caixas de açúcar, esforço físico que levou milhares deles à morte. Pode-se acrescentar que diversos fundadores das famílias do recôncavo tiveram mulheres índias e descendentes mestiços. Com o passar dos tempos, e na medida dos conflitos e guerra contra os índios, à parceria inicial foi substituída pela hostilidade do europeu contra o índio e do índio contra o europeu. (TAVARES, 1998, p.25).


REFERÊNCIA:


TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia. São Paulo. Editora: UNESP, Salvador/BA: EDUFBA, 2001.